A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (13). O volume representa crescimento de 2,4% sobre o ciclo anterior, mas o cenário positivo nacional não se repete de maneira uniforme em Minas Gerais.
No estado, a atenção está voltada principalmente para o milho de segunda safra. Segundo a Conab, a colheita está avançando nas regiões produtoras, porém parte das lavouras de sequeiro sofreu com redução das chuvas durante etapas importantes de desenvolvimento. O problema é mais evidente no Noroeste de Minas e no Triângulo Mineiro, áreas com forte presença da cultura.
Falta de chuva compromete lavouras mineiras
O relatório técnico aponta diferenças importantes entre as áreas irrigadas e de sequeiro. Nas propriedades que contam com irrigação e tiveram o plantio realizado dentro da janela considerada ideal, os primeiros resultados da colheita são mais favoráveis.
Já nas áreas dependentes exclusivamente das chuvas, o cenário é mais irregular. O atraso na colheita da soja também postergou o plantio do milho em algumas propriedades, fazendo com que parte das lavouras atravessasse o desenvolvimento justamente durante um período de menor disponibilidade de água.
A Conab relata situações em que o milho apresentou plantas menores e espigas com formação prejudicada. Nos casos mais severos, produtores chegaram a abandonar áreas diante da expectativa de baixo rendimento. Alto Paranaíba e Sul de Minas apresentam condições relativamente melhores, beneficiadas por uma distribuição mais regular das chuvas durante o ciclo.
O avanço da colheita também confirma a dimensão regional do cenário. Dados de acompanhamento divulgados pela Conab e compilados pelo Notícias Agrícolas indicavam que, até 7 de agosto, 48% da área de milho segunda safra de Minas Gerais havia sido colhida. No Brasil, o percentual chegava a 78,2%.
Brasil caminha para produção recorde
Apesar dos problemas localizados, o desempenho nacional permanece elevado. A Conab estima uma produção total de 143 milhões de toneladas de milho, considerando as três safras do cereal. Somente a segunda safra deve alcançar aproximadamente 111 milhões de toneladas.
A projeção atual para o milho supera a estimativa divulgada em julho. A safra brasileira de soja também permanece em patamar recorde, próxima de 180,5 milhões de toneladas.
No conjunto de todas as culturas, a área plantada do país é estimada em 83,5 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação à temporada anterior. A produtividade média nacional deve alcançar 4.322 quilos por hectare.
Sorgo também sente os efeitos do clima em Minas
Outra cultura relevante para Minas Gerais apresenta dificuldades. Segundo a Conab, a colheita do sorgo está em andamento e vem confirmando redução de produtividade no estado.
O atraso na retirada da soja também afetou a janela de plantio do sorgo. No Triângulo Mineiro, produtores trabalham com expectativa inferior a 3 mil quilos por hectare em algumas áreas. Considerando o estado, a produtividade estimada pelo levantamento é de aproximadamente 3.725 quilos por hectare, queda de 6,6% em comparação com a safra anterior.
O resultado reforça a importância das condições climáticas para culturas de segunda safra em Minas Gerais, principalmente nas propriedades que dependem de chuva e não possuem sistemas de irrigação.
Impacto para Minas Gerais
Milho e sorgo possuem importância que vai além da comercialização direta dos grãos. As culturas são utilizadas na alimentação animal e possuem ligação com cadeias relevantes da economia mineira, como pecuária de leite, corte, suinocultura e avicultura.
Por isso, perdas de produtividade em regiões produtoras podem influenciar disponibilidade regional de grãos, custos de alimentação dos animais e decisões sobre o planejamento das próximas safras.
A evolução da colheita nas próximas semanas permitirá dimensionar com maior precisão as perdas nas áreas mineiras mais afetadas.




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